PECUÁRIA SUSTENTÁVEL

Dieta alternativa na diária bovina reduz consumo de água e colabora com pecuaristas, diz Embrapa

Coprodutos agrícolas para pecuária promove eficiência hídrica e mantém desempenho dos animais

Por Janaína Barros
29 de março de 2021 às 12h04

Gisele Rosso/Embrapa

Estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da região Sudeste (SP), identificou pequenas diferenças diárias no consumo hídrico por bovinos que podem chegar a 7 mil litros de água por quilo de carcaça entre o valor médio e o valor máximo de pegada hídrica (PH) do gado, dependendo da dieta e uso de coprodutos agrícolas na alimentação animal.

O resultado revela grandes diferenças no consumo de água por animais de um mesmo rebanho durante a produção de carne bovina. Desta forma, foi observado que a individualidade do gado impacta no valor da pegada hídrica na pecuária.

Segundo o pesquisador Julio Palhares, pesquisador da Embrapa, um novo modelo de cálculo está sendo aplicado para o estudo, já que é a primeira vez no Brasil que se calcula a pegada hídrica da carne bovina gerados no próprio sistema de produção.

Para a conclusão da pesquisa, foram testadas duas dietas diferentes durante o período de confinamento animal, uma dieta convencional e a outra utilizando coprodutos agrícolas. A dieta convencional foi composta por silagem de milho, concentrado de milho e farelo de soja.

Já a de coprodutos foi à base de silagem de milho e concentrado de gérmen de milho gordo, polpa cítrica e casca de amendoim. O uso de alimentos alternativos promoveu melhor eficiência hídrica, além de manter o desempenho dos animais.

Para a Embrapa, é muito importante saber quantificar o uso da água para entender onde e como esse recurso é utilizado na propriedade e na cadeia de produção de bovinos, levando em consideração a individualidade animal para em seguida propor soluções de manejo adequadas para serem adotadas pelo pecuarista nas fazendas, já que os bovinos apresentam comportamentos de consumo que variam ao longo da vida e também entre cada indivíduo. Quanto maior o consumo do animal, maior o valor de sua pegada hídrica. “Isso mostra a importância de conhecer e manejar o rebanho de forma precisa”, explica Palhares.

Uma simulação feita pelo estudo apresentou 23% de economia no consumo de água total do gado em confinamento no Brasil abatido em 2018, levando em consideração as dietas formuladas para a alimentação animal.

“Os resultados demonstram como o tipo de dieta pode ser uma importante ação mitigadora. Simulações mostram que esse item pode diminuir o consumo de água em 23% anualmente. Portanto, ter maior precisão na tomada de decisões e políticas com base nas abordagens da pegada hídrica para animais e produtos agrícolas significa fazer cálculos a partir de dados altamente detalhados das cadeias de abastecimento, trabalhar com dados primários e regionalizados e considerar a individualidade animal, especialmente para bovinos”, explica.

Palhares se mostra confiante com os resultados obtidos na pesquisa para ajudar pecuaristas com boas práticas na fazenda além de demonstrar a relação entre a produção de bovinos de corte e o uso da água, melhorando a imagem ambiental da carne para os mercados nacional e internacional.