SOLUÇÃO?

SICADEMS pede liberação de importação de gado vivo

Medida deve ser vista com cuidado pelo governo para prevenir febre aftosa no estado

Por Janaína Barros por fonte do Canal Rural
18 de fevereiro de 2021 às 18h00

A pouca demanda na oferta de bovinos prontos para abate levou o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul a pedir ao Ministério da Agricultura sinal verde para importação de gado vivo do Paraguai. A solicitação foi feita no início de fevereiro e repercutiu no setor.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) demonstrou preocupação com a possibilidade. O estado possui o maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 30 milhões de cabeças, e está há 25 anos sem casos de febre aftosa. A entidade teme que os países originadores não sejam tão criteriosos quanto o Brasil em relação à sanidade animal.

Porém, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Paraguai e Uruguai possuem o mesmo status sanitário que a maioria dos estados brasileiros, sendo considerados livres de febre aftosa com vacinação.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal, destaca que a importação de animais seguirá todos os protocolos necessários para garantir a segurança da pecuária brasileira. O Uruguai já possui um protocolo e o Paraguai está em negociação.

Leal ainda afirma ao programa Mercado e Companhia do Canal Rural, que esses dois países podem enviar gado vivo diretamente para estados brasileiros com o mesmo status sanitário. Para os estados considerados livres de aftosa sem vacinação, caso de Santa Catarina, o envio também está liberado, desde que os animais sigam direto para o abate.

O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e comentarista do Canal Rural, Benedito Rosa, afirma que é um tema sensível para os criadores de gado do Brasil. Segundo ele, o setor privado assumiu uma série de compromissos ao longo das últimas décadas para controlar a febre aftosa.

O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção de Febre Aftosa prevê que o país alcance o status de livre da doença sem vacinação até 2026. Enquanto isso, a carne bovina brasileira é vendida por um preço menor no exterior, quando comparada às proteínas de países que já conquistaram o status.

Diante dos contras e acreditando que importar gado vivo não vai resolver o problema da oferta reduzida no Brasil, Benedito Rosa afirma que o governo federal não pode arriscar “um esforço que vem de décadas”.