RAÇÃO MAIS CARA

‘Não há risco de faltar ovo, mas altos custos impactam preços’

Proteína caiu no gosto popular durante a pandemia, mas custo da ração fez com que avicultores mudassem algumas práticas

Por Canal Rural
08 de fevereiro de 2021 às 20h34

Em carta enviada ao ministro do Desenvolvimento Produtivo da Argentina, o setor de ovos do país fez um alerta sobre a possibilidade de faltar ovos frescos para a população entre março e abril. Os altos custos de insumos fundamentais para a atividade vem tirando por mês cerca de 800 mil galinhas poedeiras do circuito produtivo.

No Brasil, também há diminuição da produção, segundo o diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua. No entanto, segundo ele, o consumidor brasileiro não precisa se preocupar com a falta de produtos.

“O que o Brasil exporta de ovos para a Argentina representa menos de 1% da nossa produção. O Brasil está disponível para apoiar a Argentina, até porque fazemos parte do Mercosul, mas não existe nenhum risco de faltar ovos no Brasil, já que temos um sistema muito consolidado”, explicou.

No entanto, o custo de produção tem feito com que os avicultores mudem algumas práticas. “Houve incremento substancial sobre o farelo de milho e soja, o que a gente vê de maneira natural foram produtores reduzindo plantéis, pois não vale a pena dar milho caro para galinha pouco produtiva. Houve uma queda de algo em torno de 25% de produção nos últimos meses, porque produtores estão tendo que comprar milho a mais de R$ 80 reais a saca em algumas localidades No entanto, não deve haver desabastecimento e, sim, repasse de preço ao consumidor”.

Apesar das dificuldades, aponta ele, o ovo tem sido mais consumido em período de pandemia e tem provado seu valor e versatilidade.