DEMANDA EXTERNA EM ALTA

Soja: importação segue em alta e cresce mais de 300% em dezembro

Analista projeta diminuição das compras do grão a partir de fevereiro, quando um maior volume de safra estará disponível no mercado

Por Paulo Santos, de São Paulo
22 de dezembro de 2020 às 08h23
soja importada sendo descarregada no porto de paranaguá navio eua

Foto: Claudio Neves/Porto de Paranaguá

Com a escassez de soja em grão a nível doméstico, o Brasil segue buscando a commodity no mercado internacional. Até a terceira semana de dezembro, as aquisições do produto somaram 53,644 mil toneladas, uma expressiva alta de 311% sobre o volume importado durante todo o mês de dezembro do ano passado (13 mil toneladas), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

“O volume está dentro do esperado pela situação de mercado. O que aconteceu em 2020 foi um movimento atípico por conta da pandemia. A forte demanda para exportação, impulsionada pela alta do dólar, aliado ao consumo interno elevado resultaram em estoques de soja mais baixos em décadas, daí surgiu a necessidade de importar o grão”, destaca Luiz Fernando Gutierrez, analista da consultoria Safras & Mercado.

O analista diz que o Paraguai é o principal fornecedor de soja do Brasil em 2020. Até novembro, das 747 mil toneladas importadas, 660 mil vieram do país vizinho. Além disso, o desembarque de outras 30 mil toneladas chamou a atenção não pelo volume, mas sim pela origem: os Estados Unidos. Pela primeira vez na história, o porto de Paranaguá recebeu uma importação de soja daquele país.

“Com o prêmio da soja elevado e o preço interno em alta, o comprador aproveitou a suspensão da TEC para trazer o grão americano. Com a taxa, o produto dificilmente viria ao Brasil. Sem a tarifa, a conta acabou fechando”, comenta Gutierrez, que prevê um volume de compras na casa das 850 mil toneladas para 2020.

O analista ressalta que as importações devem começar a ceder com a entrada da nova safra, que começou a ser plantada de forma tardia devido ao clima. Com isso, Gutierrez acredita que os maiores volumes de soja devem entrar no mercado brasileiro no início de fevereiro do próximo ano. Segundo ele, o tamanho da nova safra e o andamento no consumo da soja irão ditar o volume das importações para o ano que vem.

“A tendência é que as compras diminuam. No entanto, temos muitas variáveis a considerar, como o atraso na colheita, por exemplo. À medida que tivermos perdas na safra, vamos ter necessidade de ampliar as importações, mas nesse momento devemos ter entre 150 mil a 300 mil toneladas de soja importadas durante o próximo ano”, projeta o analista.